“Fale-me um pouco sobre si.”: A pergunta que parece fácil, mas que não o é.

Uma entrevista de emprego é aquele momento do processo de recrutamento que pode trazer ansiedade para os candidatos. Por norma, isso acontece porque há perguntas que os candidatos temem.

Uma delas é, claramente, a que encontras no título deste artigo. Como bem sabemos, falar sobre nós pode ser um exercício complexo e, muitas vezes, ingrato. E, portanto, não raras vezes, a resposta a esta pergunta não é a melhor.

“Chamo-me Ana, tenho 10 anos de experiência em recursos humanos, trabalhei em três empresas do setor financeiro, sou licenciada em Gestão e tenho um mestrado em…”

Esta seria a resposta mais genérica: estarias a listar cargos e coisas que já fizeste. Farias uma lista de informações, um pouco à semelhança do que já disseste no teu CV (e que aquela pessoa já sabe). Claro que não estarias a mentir; mas isso não diria nada sobre quem realmente és. E, sobretudo, não explicarias por que razão és a pessoa certa para aquela vaga.

O que o recrutador está realmente a perguntar

Quando alguém te pede para te apresentares, não está à espera de um resumo do teu LinkedIn (ou do tal CV que já analisou).

Está a tentar perceber três coisas muito concretas:

  • Quem és: a pessoa e não o cargo que tens ou pretendes ter. No fundo, o que te move, como podes ser alguém diferenciador e quem és além das características que encontramos na tua candidatura;
  • A razão para estares ali: o que te levou a candidatar àquela vaga, naquela empresa e naquele momento;
  • O que podes fazer por eles: de que forma tu, enquanto profissional, respondes às suas necessidades e como é que o teu percurso fez de ti o profissional que eles precisam.

Se a tua resposta não tocar nestes três pontos, estás a perder a melhor oportunidade da entrevista.

Há uma resposta “certa”?

Não há uma fórmula mágica (e, se já me conheces há algum tempo, sabes que não defendo essas coisas). Mas há uma estrutura que pode ajudar-te a construir uma resposta.

  • Começa por onde estás agora: o que fazes, para quem, e qual é o impacto do teu trabalho;
  • Faz uma ponte para o percurso: uma nota breve, sem listas ou histórias longas. Escolhe dois ou três momentos que explicam como chegaste até aqui e o que aprendeste pelo caminho.
  • Termina com a intenção: porque é que este próximo passo faz sentido para ti. Podes indicar o que procuras e o que pretendes construir, bem como, o que te atrai nesta empresa ou nesta função.

Não precisas de falar durante muito tempo. Sê breve e vai direto ao ponto.

O erro mais comum

A maioria das pessoas começa pela formação e vai desfiando memórias até ao momento atual. Esta é a ordem cronológica e pode fazer sentido na tua cabeça, mas, para quem está a ouvir, fica a faltar o “porquê” de tudo aquilo ser importante para o momento atual.

Experimenta o contrário: começa pelo presente e vai ao passado só quando precisas de explicar algo relevante. É muito mais fácil de ouvir e de enquadrar o que queres dizer.

Assim, feito este enquadramento de forma prática e objetiva, passas confiança e dizes ao que vais. É importante, também, ser conciso e saber “quando parar de falar”.

Ensaia. A sério.

Bem sei que há uma ideia generalizada sobre ensaiar as entrevistas de emprego. Naturalmente, não é suposto decorares as respostas e tudo aquilo que vais dizer. Até porque… Não queres soar artificial, verdade?

Ainda assim, podes praticar/ ensaiar as ideias que queres comunicar na entrevista. Praticar a mensagem que queres transmitir vai permitir que a tua resposta flua de forma mais natural, sem perderes a tua voz (e não estou a falar da tua voz enquanto instrumento, mas sim enquanto característica).

Se pensares bem, os músicos e os desportistas treinam centenas de vezes determinadas peças ou movimentos. Isso não os deixa artificiais e permite-lhes ter uma melhor performance. No caso de uma entrevista, podes seguir essa lógica.

Treina em voz alta e, se possível, à frente de alguém de confiança. Discutam sobre pontos a melhorar e ideias que possam não ter ficado claras. O que parece claro na tua cabeça nem sempre soa claro quando sai pela boca… E a única forma de perceber isso é analisando o que dizes.

O que muda, afinal, quando tens uma abordagem diferente na entrevista?

Tudo. A forma como decorre a entrevista é diferente porque, quem está do outro lado fica com a impressão clara de quem és. Passas mais confiança e clareza para o recrutador e fazes “valer a pena” aquele momento.

Naturalmente, não é só isto que garante a vaga. Contudo, se começares mal a entrevista, isso pode custar-te todo o processo de recrutamento. E estou certa de que não queres que isso aconteça.

Se quiseres trabalhar a forma como te apresentas (na entrevista, no LinkedIn, numa candidatura, em qualquer contexto profissional), a Consultoria Claritas é o espaço para isso. Uma sessão individual, focada na tua situação, com um plano de ação concreto no final. Se quiseres perceber se esta é a solução ideal para ti, agenda uma Sessão de Exploração gratuita, sem compromisso.

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