As mentiras que te contaram sobre procurar emprego (e que ainda acreditas).

Há conselhos sobre procura de emprego que já ninguém questiona.

Circulam há tanto tempo, foram repetidos tantas vezes, que vigoram como uma verdade absoluta. Passam de geração em geração, aparecem em livros, em sessões de orientação vocacional, em conversas de família ao jantar.

Parece exagerado, mas vão perceber o meu ponto.

O problema? Muitos deles estão errados. Ou, pelo menos, já não se aplicam da forma como foram ensinados.

Vamos a eles?

Precisas de um currículo de uma página.

Esta regra surgiu numa época em que os currículos eram impressos e o papel tinha um custo. Faz sentido historicamente. Hoje, não faz sentido nenhum.

O que importa não é o número de páginas: é a relevância de cada linha. Um currículo de duas páginas que comunica com clareza bate sempre um de uma página que omite o essencial para caber num determinado formato.

A regra certa? Nenhuma linha “para encher chouriços”. Seja numa página, seja em duas.

Tens de candidatar-te a muitas vagas para aumentar as hipóteses.

A lógica parece fazer sentido. Na prática, candidaturas em massa com o mesmo currículo genérico para vagas completamente diferentes raramente funcionam.

Os recrutadores reconhecem um CV enviado a toda a gente. É quase uma aura: dá para sentir.

Menos candidaturas, mais intenção e foco. Quase sempre resulta melhor.

O LinkedIn é só para quem está desempregado.

Não. Não, mesmo.

O LinkedIn não é uma plataforma de emergência que abres quando as coisas correm mal. É uma ferramenta de presença contínua.

Os profissionais que aparecem quando surgem oportunidades são os que mantiveram o perfil ativo muito antes de precisarem dele. Construir presença em modo urgência é sempre mais difícil (e muito menos eficaz).

Uma carta de motivação genérica é melhor do que nenhuma.

Não é, lamento.

Uma carta que podia ter sido enviada para qualquer empresa, para qualquer vaga, comunica exatamente isso: que não te interessou o suficiente para fazeres algo específico. Nesse caso é mesmo melhor não enviar nenhuma do que enviar uma que trabalha contra ti.

Uma boa carta de motivação responde a uma pergunta simples: por que razão esta pessoa, para esta empresa, agora?

Se tiveres as competências certas, vão encontrar-te.

Talvez. Mas boas competências + zero visibilidade é uma combinação muito frustrante.

O mercado de trabalho não é uma meritocracia perfeita: é, também, uma questão de estar no lugar certo, com a mensagem certa, no momento certo. Não significa inventar uma versão falsa de ti. Significa garantir que a versão real é visível e fácil de entender.

Então o que fazer durante a procura de emprego?

Tratar cada candidatura como uma comunicação intencional, e não como uma lista de compras ou um formulário para preencher. Procura perceber o que a empresa precisa. Mostra, de forma clara e honesta, como o teu percurso responde a essa necessidade.

Põe mais de ti em cada candidatura. É precisamente isso que resulta.

Se quiseres ajuda a alinhar o teu currículo, o teu perfil de LinkedIn ou a tua abordagem às candidaturas, começa por uma Sessão de Exploração gratuita — sem compromisso, só para perceber se faz sentido trabalharmos juntas.

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